www.sxc.hu

Início de ano é sempre bom para fazer uma limpeza na vida. Jogar coisas velhas fora, organizar armários, esvaziar gavetas emboloradas. Que tal aproveitar e fazer também um pouco de manutenção preventiva no seu Windows?

Todo final de ano eu ofereço meus préstimos como mexedor de micro a parentes menos afeitos à configuração de sistema operacional ou a atualizações de software. Encontro pela frente máquinas que poderiam ter melhor desempenho e dar menos dor de cabeça com algumas medidas muito simples. A primeira delas: eliminar tranqueiras.

É impressionante a quantidade de programas que as pessoas deixam rodar na área de notificação (system tray). Esse espaço nobre do Windows em geral é ocupado por programas que rodam continuamente, desde a inicialização do sistema, mesmo que não sejam usados o tempo todo. Consomem memória e recursos do computador. Muita gente nem percebe que vários programas de utilidade apenas ocasional (como o QuickTime Player da Apple) adoram grudar seus tentáculos por ali.

Quanto mais programas sinalizados lá, mais tempo o Windows leva para inicializar e menos memória ficará disponível para outros programas. Portanto, quanto menos programas na área de notificação, melhor.

Clique com o botão direito sobre cada ícone e ative o comando de “Opções” ou “Configuração” que cada programa desses deve ter. Se não encontrar esses comandos, rode o programa correspondente ao ícone indesejado e busque nas configurações uma opção batizada como “rodar o programa na inicialização” (desative isso), “deixar um ícone na área de notificação” (desative isso), ou coisa semelhante.

Eu costumo deixar apenas duas coisas no meu system tray: um firewall (indispensável para quem possui conexão de banda larga) e um programa anti-vírus ativo (indispensável para quem quer que seja). O resto é o resto. Acredite, sua vida não vai piorar se os ícones ao lado do reloginho forem embora.

Outro recurso que vale a pena utilizar (ao menos uma vez por mês) é um “limpador de resíduos” do Windows. O sistema operacional da Microsoft, em todas as suas versões, costuma deixar resíduos pelo disco rígido. Arquivos temporários que, por acidente, não são apagados, proliferam-se com o passar do tempo. Chaves de registro não são devidamente removidas no processo de desinstalação de programas. Pastas criadas automaticamente são esquecidas pelos cantos. É como se, pouco a pouco, entrasse poeira nas engrenagens do motor. Cedo ou tarde, o conjunto todo começa a engasgar.

Nada mais útil, portanto, que o CCleaner, um software gratuito e confiável que simplifica muito o trabalho de remoção de resíduos. Com um clique, ele varre o disco rígido e procura pedaços descartados do sistema operacional, chaves de registro inúteis, arquivos temporários desnecessários (inclusive o cache do seu navegador de internet, se você quiser), e muitas outras coisas. Além de desocupar espaço em disco, a freqüente utilização do programa deixa o Windows “desempoeirado” e sempre funcionando em boas condições, desde que você tenha uma certa coragem para solicitar também a limpeza do registro (registry). Não deixe de experimentar.

Por fim… todos os que utilizam a Internet estão sujeitos a serem infectados com um tipo de ardil quase tão danoso quanto os vírus de computador. São os spywares, os programas espiões: uma enorme variedade de “recursos” que se instala automaticamente no seu micro durante a navegação em sites pouco confiáveis.

Muitas vezes você não percebe a infecção, mas percebe os sintomas: novas barras de ferramentas em seu Internet Explorer que aparecem misteriosamente, travamento do navegador sem razão aparente, ou ainda a mudança indesejada da “página inicial”. A finalidade desses programas infectantes é rastrear silenciosamente as suas atividades na Internet e transmitir essas informações para os autores do programa. Estes, por sua vez, venderão seu “perfil de uso de Internet” para agências de propaganda inescrupulosas, que farão disso o que bem entender (no mínimo, encher sua paciência com propaganda indesejada).

Para se defender dessa praga, não conheço recurso melhor que o Spybot – Search and Destroy, um software gratuito que se tornou popular a ponto de rodar em mais de 50 idiomas. Ele identifica mais de 100 mil ameaças à sua privacidade, remove-as do seu micro e imuniza-o contra diversos tipos de praga publicitária. A versão 1.5 roda desde o Windows 95 até o Vista. Atualizações gratuitas contra novas ameaças são fornecidas pelo autor quase semanalmente. Indispensável aos que levam sua privacidade a sério.

A dois dias do Natal e a pouco mais de uma semana do ano novo, é inevitável pensar em retrospectivas. Na falta de notícias mais relevantes que a Corrida de São Silvestre, meios de comunicação aproveitam o período de reflexão para refrescar nossa curta memória com fatos importantes ocorridos ao longo do ano. Deveríamos, mesmo, lembrar deles para não cometer os mesmos erros no ano seguinte.

Pensei em listar os muitos avanços que este país varonil obteve entre janeiro e dezembro (primeira morte em decorrência de terremoto, maior número de mortes em um acidente aéreo, maior demonstração coletiva de cara de pau num Senado, etc.) mas não vai faltar esse tipo de coisa nos telejornais e semanários em banca de jornal. Decidi olhar mais pra cima na hora de oferecer a todos um cartão de boas festas.

Meu desejo de Natal, como em todos os anos, é que a humanidade possa ganhar perspectiva; olhar para além das nossas mesquinharias e pequenas preocupações, e mais para as coisas que deveriam nos unir. Somos humanos, é verdade, eternamente sujeitos ao egoísmo… mas somos tão capazes de maravilhamento quanto de cinismo. Precisamos de maravilhamento mais que nunca.

Estação Espacial InternacionalEis, pois, meu voto de um ano novo muito especial para todos. Com vocês, as 12 melhores fotos sobre o Universo publicadas em 2007 no site que abre meu navegador de internet, todos os dias. Dois cometas, muitas estrelas e uma lua raramente vista por nós têm sobre mim o mesmo efeito que a vigília secreta da chaminé feita pelas crianças à espera do Papai Noel.

Muito obrigado a quem se dispôs a acompanhar estas linhas e ajudou este blog a juntar mil visitas em seu primeiro mês de vida. Agradeço especialmente àqueles que deixaram comentários, opiniões, portas abertas para o diálogo. Espero desfrutar da companhia de vocês no ano que vem. Boas festas!


Autor de blog também entra em recesso! Reabriremos após 3 de janeiro.

Banner da campanha on-line de apoio à greve de roteiristasÉ possível que você, um seguidor de séries televisivas interessantes, tenha ouvido falar na “greve de roteiristas” que se estende há quase dois meses nos EUA. Os profissionais envolvidos estão vinculados à Writers’ Guild Association. Os escritórios dessa entidade, em Los Angeles e Nova York, circunscrevem praticamente todos os autores de roteiro para TV e cinema dos Estados Unidos.

Em termos simples, os filiados à WGA criam a maior parte do entretenimento audiovisual no mundo ocidental. Canais brasileiros por assinatura do tipo Sony Entertainment Television só têm o que mostrar graças ao registro audiovisual das idéias desses escritores.

Portanto, todo consumidor de TV por cabo no Brasil, na América Latina, na Europa e em outras partes do mundo tem motivos para acompanhar o desenrolar da disputa entre os roteiristas e os conglomerados produtores de audiovisual. “Desenrolar”, contudo, é um termo inadequado ao presente. Há um impasse — causado pelos representantes da Association of Motion Picture and Television Professionals (AMPTP), o “adversário” da WGA. Há 14 dias, retiraram-se da mesa de negociações e não dão mostras de que irão voltar.

O resumo da briga é o seguinte: os autores querem uma participação na renda advinda de transmissão de filmes e seriados pela Internet. Estima-se que esse negócio gere 4,6 bilhões de dólares somente nos próximos três anos. O ponto de vista dos autores está claramente explicado aqui (desde que você entenda o inglês falado nos Estados Unidos).

Os estúdios, com notável cara-de-pau, alegam que não faz sentido dar dinheiro aos roteiristas porque a exibição de filmes e séries pela Internet é “meramente promocional”. Noutros momentos, dizem que “não é possível” estimar o quanto as exibições via Internet irão render. É no mínimo curioso, portanto, que um desses gigantes, a Viacom, não tenha titubeado em requisitar 1 bilhão de dólares e mais um pouco ao YouTube, como reparação num processo judicial em defesa de suas “propriedades ilegalmente transmitidas” pelo site mais festejado dos nossos dias.

Vinte anos atrás, no início do mercado de filmes em VHS, os roteiristas aceitaram receber meros centavos por cada fita comercializada, para “ajudar a fomentar a nova mídia”. Esperavam que, num futuro onde o mercado já estivesse consolidado, fossem recompensados pela indústria. Isso nunca aconteceu. O mesmo parco comissionamento foi legado aos DVDs sem nenhum tipo de correção. Cabe aos roteiristas 4 centavos de dólar por disquinho contendo filme derivado de suas histórias — o consumidor final paga 10 dólares por DVD comprado, em média, nos EUA.

Escaldados pela injustiça financeira, enxergando a Internet como sala de exibição e prevendo um futuro onde TV e protocolo IP sejam o mesmo canal, os escritores não querem repetir a história e lutam por uma remuneração que consideram mais justa. Com seu grande entendimento dos meios audiovisuais e seu poder de sedução, apóiam-se na própria Internet para executar uma estratégia de conscientização do público. Há uma enxurrada de vídeos on-line tratando de todos os ângulos da greve. Um dos roteiristas do Daily Show with Jon Stewart, por exemplo, é o apresentador desta pérola (em inglês).

Nessa briga, é difícil encontrar quem esteja do lado dos estúdios (o que não chega a surpreender, nestes tempos de ódio às corporações multinacionais). Como se sentirão os demais trabalhadores desse ramo, que somam 400 mil na região de Los Angeles? Eletricistas, cenógrafos e microfonistas devem estar temerosos, mas os que realmente contam para a mídia, ou seja, os atores, demonstram apoio sindical e presencial. Recentemente, membros do elenco de séries policiais, tais como CSI, Lost, Num3ers, The Unit, Dexter, The Shield e Law & Order juntaram-se a um protesto organizado pelos roteiristas policiais, que chegaram a visitar estúdios e demarcá-los com a fita amarela típica de “cena do crime” (de apropriação, imagina-se). Por sua vez, a prefeitura de Los Angeles já exortou a AMPTP a retornar às negociações, ciente de que a greve causa prejuízos à economia da região na ordem de 20 milhões de dólares por dia.

Considerando que os roteiristas da WGA também cuidam do script de eventos da indústria, como o já iminente Golden Globe Awards e o centro nervoso dos grandes orçamentos do ano, o Oscar, o caldo só tende a engrossar em Hollywood.

Os espectadores que se preparem: 2008 poderá se tornar um ano inesquecível… para reprises.

Com vocês, o trailer do próximo longa da Pixar. Eu queria descobrir se seria possível embutir um player de vídeos neste blog — e dificilmente haveria maneira mais legal de fazer isso.

Conheço muitos brasileiros que tiram sarro do Engrish nipônico, mas “livre redação” é o que não falta neste país. A singela espécie de maçã retratada abaixo atende pelo nome de Granny Smith. Mas nem todo mundo tem respeito pela vovó…

Maçã Grasmiti

Eu sei, é muito pouco para quem espera novos posts neste blog. Culpem minha gripe, que sufoca meu cérebro em muco e impede que meu raciocínio funcione. Peço aos meus cinco leitores um pouco de paciência. Volto em uns dois dias.

Chris Jordan é um artista norte-americano que instiga observadores a pensar nas armadilhas ambientais que a sociedade constrói contra si mesma. Como ele próprio diz, as agressões ao meio ambiente geralmente são retratada nos meios de comunicação por números — abstrações. Ou seja: a poluição, a voracidade, a devastação são quantificadas em valores que dificilmente estabelecem uma reação emocional de conscientização.

Afinal de contas, o que representa para o ambiente a venda anual de 3,6 milhões de utilitários esportivos nos EUA? Números desse tipo podem ser muito mais impactantes se convertidos em imagem. É isso o que Jordan faz em sua exposição mais recente, Running the Numbers: milhares de fotos de produtos descartáveis ou dejetos, digitalmente alinhadas, formam mosaicos gigantes que comunicam a vastidão do desperdício e simbolizam o consumo avassalador de recursos naturais. A capacidade intrínseca à fotografia de estabelecer uma reação emocional, somada à escala de elementos compostos nas fotos, dá um recado imediato aos leitores. O subtexto confesso do fotógrafo é o de “enfatizar o papel do indivíduo numa sociedade progressivamente mais vasta, incompreensível e sufocante”.

Cada mosaico representa uma certa quantidade de itens consumidos ou descartados num determinado período de tempo. São expostos na forma de enormes painéis em galerias de arte, o que simultaneamente oferece ao leitor tanto a composição artística como a revelação dos elementos constituintes (bastaria dar alguns passos na direção de cada painel).

Para tentar simular o efeito de mosaico no site, Jordan apela para o zoom progressivo de cada trabalho, até chegar ao ponto de mostrar os itens individuais utilizados como “pinceladas”. Perceber a quantidade insana de “pedrinhas” do mosaico é ainda mais estarrecedor que a obra final. Por exemplo: Skull with Cigarette, painel criado em 2007 com quase dois metros e meio de altura, é composto por 200.000 imagens de maço de cigarro. Esse número não é escolhido a esmo. Duzentos mil é o número de norte-americanos que morrem a cada 6 meses de doenças ligadas ao tabaco.

O trabalho de Chris Jordan também pode ser vislumbrado nas páginas da “edição verde” da revista Superinteressante (n° 247), recém-chegada às bancas. Oxalá alguma entidade brasileira com metas de conscientização ecológica venha a expor suas obras no Brasil. Seria uma aula de ecologia eficiente como poucas.

…E porque hoje é sexta-feira, e sexta é dia de boas notícias, a Secretaria da Fazenda de SP divulgou a tabela para cálculo do IPVA 2008.

Direto ao que interessa: descubra no Excel zipado o valor venal do seu veículo, de acordo com o ano-modelo (colunas rotuladas “m200…”). O IPVA do seu carro será equivalente a 4% disso (ou 3%, se for movido a gás ou a álcool, somente). Motocicletas, ônibus, microônibus e tratores pagam 2%.

Bom início de fim de semana a todos!