A única coisa que sobra para comentar, em se tratando de Corinthians hoje, foi a choradeira no Estádio Olímpico incessantemente retratada pela TV. Os corintianos mostraram desconsolo, reza, desespero — amor ao clube, enfim. Depois do espetáculo na última desclassificação da Libertadores, em pleno Pacaembu, eu esperava qualquer coisa bem pior: cenas de cerco a jogadores, palavras de ordem ameaçadoras e por aí vai. Vamos ver o que acontecerá no retorno a São Paulo.

O jovem político Felipe, que escapa ileso de qualquer acusação, soube aproveitar o momento para fazer outro gesto teatral, desta vez pedindo desculpas. Joga para a torcida, como se diz, mas é um ótimo goleiro e o ano de 2008 saberá reservar-lhe um destino melhor, talvez isolado de seus confrades.

De resto, que voltem campeões pela Série B, ou darão ainda mais munição aos palmeirenses.


Eu diria que a coisa mais triste desse Campeonato Brasileiro não foi o baixo nível do futebol, responsável pela entrega antecipada do título ao único time com doses regulares de estrutura e profissionalismo (talvez exagerado, dado o pragmatismo dentro de campo). Também não foi o escoramento de times inteiros em jogadores para lá de gastos, como Edmundo, Paulo Baier e o “tetra” Vampeta (quatro times rebaixados em cinco anos, se não errei as contas). Foi, isso sim, a presença midiática do Sr. Presidente da República no âmbito do futebol, dando palpite sem cabimento até em suspeitas de doping. Alguém deveria ensinar-lhe a cuidar de assuntos que lhe competem — assuntos muito mais prementes, diga-se.

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