Minha amiga Lu contou uma interessante história sobre a Fonte Nova, palco da tragédia mais anunciada do Brasil em 2007. Ao passear de táxi em Salvador, topou com um estádio que a princípio pensou ser a famosa Fonte Nova, sede do Esporte Clube Bahia – mas descartou a idéia porque o estado geral indicava uma construção há muito abandonada. Curiosa, perguntou ao taxista que lugar era aquele, e o sujeito, adivinhem, confirmou: “É a Fonte Nova!”

Isso aconteceu há mais de um ano. De lá para cá, o que mudou? De abandono, virou desastre. O ilustre Bobô, ex-jogador de certa fama no futebol paulista, hoje na Superintendência de Desportos da Bahia, passou o último domingo diante das câmeras de TV tentando justificar o injustificável.

 O fato é: desabou parte da arquibancada, e morreu uma porção de gente. Qualquer pessoa em sã consciência, olhando as imagens pela TV, veria que o concreto rivalizava em podridão com o do “esqueleto da Juscelino”, imenso prédio público que não passou do arcabouço e ficou anos a fio largado na Marginal Pinheiros, como monumento ao escárnio estatal e ao desperdício de dinheiro público.

Agora, o ilustre governador Jacques Wagner anuncia aos quatro ventos da mídia a implosão do venerável palco de futebol baiano e os planos para um novo estádio, mais moderno, em conformidade com as exigências da Copa 2014. O povo aplaude, o bafo de modernidade sacode a tristeza, e vamos ao futuro!

 Enquanto isso, os familiares da tragédia receberão da seguradora 25 mil reais por parente perdido.

 Em nota oficial, o governador destacou que, mesmo com a decisão de implodir o estádio, a apuração das causas do acidente irá continuar. Alguém aposta alguma coisa nisso?

O Ministério Público deve decidir se irá incluir a Federação Baiana de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre os responsáveis pelo acidente ocorrido no domingo, que envolveu aproximadamente 60 pessoas. Inicialmente, a responsabilidade pelo acidente é da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), que administra o estádio.

Tramita na Justiça desde 2006 um pedido de interdição da Fonte Nova. Desde então, a promotoria vem pedindo o julgamento da ação civil pública. Até agora, nada.

Donde se vê que quase uma dezena de pessoas morreu por uma combinação de fatores bem brasileiros: omissão do poder público e lentidão da Justiça brasileira. É a triste história de sempre.

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