Ted RallO sujeito na foto é, possivelmente…

a) o homem mais bem informado dos Estados Unidos, no que tange política nacional e internacional;

b) o homem mais inconformado com a reeleição de George W. Bush;

c) o nome mais provável de constar numa lista negra de exiláveis, caso o Home of the Brave deixe de ser a Land of the Free.

Seu nome é Ted Rall. Colunista e cartunista político, Rall é a pena mais ácida, contundente e presciente que já ousou atacar o status quo americano. A profundidade de suas observações, seja em texto ou (mais especialmente) em cartuns, só se compara ao sarcasmo inerente às suas tiradas, que fazem o americano acima da média pensar na lama em que se enfiou graças a seu próprio voto.

Prolífico e incansável, Rall já trabalhou como radialista; foi premiado várias vezes por seus talk shows, transmitidos ao vivo inclusive do exterior. Foi o primeiro norte-americano a irradiar entrevistas ao vivo de países como Cuba e Usbequistão, além de cobrir as incursões militares no Afeganistão em gravações elogiadas. Parte do seu trabalho pode ser encontrado no acervo de seu site oficial.

Hoje concentra seu fogo em editoriais e cartuns, publicados em 140 órgãos de imprensa nos EUA. Sem dar a menor bola para o clima de terror imposto aos cidadãos americanos, Rall retrata o presidente (a quem já chamou de “residente”, em função da eleição decidida pela Suprema Corte) como um clássico ditador de quinta categoria, “Generalissimo El Busho”, até em camisetas. Seus cartuns, publicados cerca de três vezes por semana na Web, filtram os principais absurdos da política americana (e seus reflexos na sociedade). Leitores brasileiros poderão se perder quando o assunto for política partidária ou legislativa (quem, afinal de contas, sabe o nome dos deputados de New Hampshire, por exemplo?), mas saudarão em silêncio as tiradas terrivelmente verdadeiras sobre a barbárie que o governo norte-americano espalha pelo globo, em nome da “caça aos terroristas”. O estilo seco de seu traço emoldura ainda mais a perplexidade (e paralisia) do americano pensante – não se pode esquecer que existe o americano pensante, e que não é uma raça em extinção. Oxalá os iluminados pela pena de Ted Rall possam dar novos rumos a seu país, o que certamente traria novos rumos ao mundo.

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