Caros parcos leitores que ainda registram este endereço, apesar da minha ausência:
Venho libertá-los. Minha situação de vida e trabalho me impedem de dar atenção a este blog, uma vez que não encontro tempo para textos longos. Decidi inverter totalmente minha expressão, limitando meus caracteres ao acompanhamento de fotos, neste espaço…
O ilusionista britânico Derren Brown está começando a ficar conhecido no Brasil, ainda que por meios subterrâneos. Quem já ouviu o nome se enquadra em uma de duas categorias: ou gosta de truques de mágica, ou gosta de procurar vídeos interessantes no YouTube. Pessoas que gostam das duas coisas freqüentemente encontram Derren Brown. Surpreende que nenhum canal a cabo brasileiro tenha trazido seus programas de TV (genericamente intitulados Mind Control) para cá.
Derren Brown se autodenomina um “ilusionista psicológico”, utilizando uma mistura de técnicas que vão de prestidigitação a hipnose para realizar truques que parecem impossíveis, ou mesmo sobrenaturais. Mas não o são — e ele faz questão de deixar isso claro, como o racionalista convicto que é. Abandonou o fundamentalismo cristão herdado de seus pais por volta dos 20 anos, e hoje inicia seus shows passando um recado: não sou um feiticeiro, sou apenas um observador agudo.
Começou como mágico fazendo truques de cartas, até perceber que o que o atraía não era a execução dos truques, e sim a relação psicológica entre o mágico e seu público. A partir desse momento, começou a traçar um caminho próprio de performance, misturando “truques de mãos” a “truques da mente”. Achou seu nicho no mercado e ganhou notoriedade na primeira metade dos anos 2000, tornando-se uma estrela da mídia britânica. Apresentações abarrotadas de gente nos teatros e programas de TV similares a um “reality show” de mágica de rua resultam em estatísticas comprobatórias da sua crescente popularidade.
Tudo o que Derren Brown faz, segundo ele próprio insiste, pode ser decupado pela lógica… mas não é fácil entender esses mecanismos, ou simplesmente evitar que o queixo caia, ao vê-lo em ação. Na TV, ele já entrevistou um grupo de vendedores de carros usados e determinou sem erro quais deles mentiam e quais diziam a verdade ao falar do passado. Já recebeu uma resma de retratos de gente viva e gente morta das mãos de um agente funerário; sem saber quem era quem; dividiu as fotos corretamente em duas pilhas, “vivos” e “mortos”. Noutra ocasião, deu a três homens a tarefa de mover um conjunto aleatório de móveis de um cômodo a outro — adivinhando com perfeição em que lugares e de que modo seriam postos os móveis.
Como qualquer profissional do encantamento, ele mantém em segredo algumas de suas ferramentas, mas realmente não se considera mais “mediúnico” do que qualquer pessoa na rua. “Reconheço que sou um pouco ambígüo”, já disse numa entrevista, “mas no momento em que eu explicar completamente um truque, seu encanto se perderá”. Apesar do sucesso como mágico, ele não se alimenta do brilho midiático em escala hollywoodiana que alegra David Copperfield, nem se comporta como um maluco disposto a arriscar a vida publicamente, como David Blaine. Derren Brown é simplesmente muito, muito bom no que faz. E, enquanto nenhuma editora de DVDs brasileira faz uma aposta nesse sucesso internacional, o jeito é apelar. Vários de seus vídeos estão disponíveis na Internet; basta procurar com o mesmo zelo e dedicação que Brown aplica no seu aperfeiçoamento profissional. Para constante deleite de todos nós.
Faz sentido que a mídia mundial acompanhe de perto as eleições americanas. Afinal, o nome que aflorar do processo bizantino de eleições indiretas que parecem diretas, literalmente comandará o mundo sem restrições. Continuará uma tradição de 60 anos de ingerência (por meios claros ou escusos) em nações soberanas. Manterá a roda-viva do consumismo, amparado em crédito destemperado, às custas do desenvolvimento econômico exterior. Poderá jogar bombas em quaisquer países julgar interessante, sem impedimentos.
O processo eleitoral americano deve ser acompanhado por todos os seres humanos, sem exceção. Em jogo podem estar suas vidas.
Aos nomes, pois: John Edwards e Rudolph Giuliani acabaram de pular fora. O tosco Mitt Romney, felizmente, não tem chances reais. John McCain pode parecer um velhinho simpático, mas é um republicano. Barack Obama fala bem, mas só superficialmente. Ninguém sabe como fará o que afirma ser necessário fazer. E Hillary, nenhum brasileiro deve esquecer, foi ao menos parcialmente responsável pela evasão escoltada dos pilotos do jato Legacy que colidiu com o vôo 1907 da Gol. Sejam culpados ou não, jamais serão julgados agora.
Uma coisa, porém, dá certo alento. Nenhum deles é o atual presidente. Sempre que um genocida deixa o poder, renova-se minha esperança na humanidade. Não dura muito a sensação, mas comemoro mesmo assim.
As criações publicitárias destinadas ao McDonald’s brasileiro se condensam magistralmente na folha que recobre a bandeja de seus “restaurantes” (como a rede os chama). Refiro-me ao papel onde o atendente de balcão apóia o hambúrguer, refrigerante e batata frita do seu pedido. No jargão publicitário, tem o nome de lâmina.
Recentemente, passei por um “Mac” e fiquei impressionado com uma belíssima criação impressa na lâmina. Peguei um exemplar descartado e limpo para estudar em casa. O tema daquela tiragem era uma sátira aos catálogos de venda pela Internet (no meu tempo de criança, catálogos de venda por “reembolso postal”), temperada por futurismo dedicado ao conforto da humanidade. Uma galeria de utilidades domésticas imaginárias me saudava, como se aquilo fosse um folheto explicando recursos técnicos daquela aparelhagem toda. Adoraria ter na vida real, por exemplo, um Casacold 1000 tal como apresentado. Garantiria ausência de suor nas minhas caminhadas pela cidade no verão. Moldado, ainda por cima, na última tendência da moda (verde), pois seria refrigerado à custa do “novíssimo gás coruscante nitroso, que não agride o meio-ambiente”.
Pena que tudo isso tenha o efeito de tirar a atenção da informação nutricional da comida servida no McDonald’s, grafada em letras miúdas no verso da lâmina ilustrada. Quem quer leitura chata quando se pode aproveitar brincadeiras coloridas?
Qualquer pessoa que se dê ao trabalho de virar a folha e fizer poucas operações matemáticas terá sérias dúvidas quanto ao papel que o McDonald’s tem na alimentação infantil. Calorias demais, sódio demais, gordura demais. Ainda mais levando-se em conta que os percentuais exibidos são calculados com base na dieta de 2.000 Kcal de um adulto.
Pode-se ter uma alimentação saudável no McDonald’s? Certamente; há maçãs à venda. Água de coco. Cenouras.
Agora me diga, você já foi ao McDonald’s e pediu qualquer um desses itens? Seus filhos já pediram para você levá-los ao McDonald’s para comer maçã? Já pediram para você comprar as cenouras?
Todos os sanduíches do McDonald’s contêm dosagens de gordura trans. Está escrito no verso da lâmina. As sobremesas também têm doses de gordura trans; só as maçãs (não a torta de maçã, notem bem) e a salada de frutas escapam. Até o iogurte com frutas vermelhas e cereais, coisa que a maioria de nós consideraria “saudável”, tem gordura trans.
Por que se insiste tanto em falar de “gordura trans”, hoje em dia? Porque se trata de algo que não contribui de nenhuma forma positiva para a nutrição humana, e aumenta o risco de doenças do coração. Simples assim.
Segundo informa a Wikipédia, a vasta maioria das gorduras trans consumida atualmente é criada pela indústria de processamento de alimentos. Pode-se dizer que a gordura trans é um “efeito colateral” do processo de hidrogenação de gorduras de origem vegetal — ou seja, da produção de gordura vegetal hidrogenada, item corriqueiro nos alimentos industrializados.
A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos já concluiu que não existe nível seguro ou adequado de consumo de gordura trans. Não há “ingestão diária recomendada”, nem mesmo um limite tolerável. Qualquer consumo de gordura trans aumenta o risco de doenças coronarianas (cardíacas).
Mais e mais países estudam restrições sérias ou proibição do uso de gordura trans no hemisfério norte. O pôster que ilustra este texto, uma campanha da municipalidade de Nova York, reflete a preocupação presente até em governos locais.
A mensagem, caros leitores, é clara: muito cuidado com o que comem e o que dão de comer a seus filhos.
O Atlas de bolso da Dorling Kindersley, provavelmente a editora mais caprichosa do mundo, é um deleite. Mapas políticos e físicos de todas as regiões do planeta, além de fichas factuais de todas as nações, cabem num livrinho pouco maior que minha mão (embora com uns dois dedos de espessura). Tudo colorido, com sofisticação editorial e gráfica que não se encontra em muito livro maior e mais caro por aí.
Um ótimo diferencial são os inúmeros comentários distribuídos pelos mapas, trazendo informações vinculadas de geografia, história e outras ciências. Ofereço aos leitores um pouco de deliciosa cultura de almanaque:
O lugar do mundo onde mais venta é… a Antártida. Em Commonwealth Bay, junto à Terra de George V, foram registrados ventos com velocidade superior a 320 quilômetros por hora. Para se ter uma idéia, qualquer coisa acima de 118 Km/h é considerada furacão.
Em 14 de abril de 1986, uma chuva de granizo matou 92 pessoas na região de Gopalganj, em Bangladesh. As pedras de gelo que caíram do céu foram as mais pesadas que se tem notícia: um quilograma cada, em média.
No espaço aéreo da Costa do Marfim foi anotado o vôo mais alto de um pássaro: um abutre de Ruppell, avistado a impressionantes 37 mil pés, o que dá pouco mais de 11.200 metros de altitude. A rigor, seu vôo só ficou conhecido porque a ave foi atropelada por um jato comercial. Ganhou notoriedade póstuma.
A sauna é um hábito tão comum entre os finlandeses que existem cerca de 2 milhões de saunas comerciais e residenciais instaladas no país — para atender a uma população de 5 milhões de pessoas (em 2004).
No século 10, o Grande Vizir da Pérsia tinha o hábito de transportar sua biblioteca consigo toda vez que viajava. Os 117 mil volumes eram transportados por camelos — treinados para andar em fila que respeitava a ordem alfabética dos títulos.
The Perry Bible Fellowship é uma tirinha on-line, escrita em língua inglesa, que anda fazendo sucesso na Internet. Seu título não tem nada a ver com o conteúdo, da mesma forma que, segundo o autor Nicholas Gurewitch, a Madonna se chama Madonna apesar de obviamente ela não ser uma madonna no sentido religioso.
No estilo artístico e no imaginário retratado, a tira apropria-se de lembranças de infância e subverte-as em situações surreais, pinceladas de eventual erotismo e freqüentemente recobertas de crueldade. Tudo é pintado em cores delicadas e o início é sempre idílico. Tanto melhor para terminar em tragédia… como nesta história de macaquinhos.
Não há cronologia e quase não há repetição de temas; dessa forma, as tirinhas podem ser lidas em qualquer ordem. Como sou metódico, sugiro começar pela número 1, justamente uma das menos recomendadas para menores. O site contém cerca de 200 tiras já no estoque digital… divirta-se.
Quem gosta de música popular brasileira, particularmente de MPB “de raiz” (choro, samba, etc.) precisa ser avisado: uma das gravadoras mais ecléticas do país, a Deckdisc, pôs no mercado o melhor disco de música brasileira de 2007, na minha opinião.
Chama-se Contínua Amizade, e registra o encontro de dois jovens de sensibilidade extraordinária e total domínio de seus instrumentos: André Mehmari, pianista nascido em Niterói mas criado em Ribeirão Preto, e Hamilton de Holanda, bandolinista nascido no Rio mas criado em Brasília.
Eles se conheceram nos bastidores do primeiro Prêmio Visa dedicado à música instrumental brasileira, em que André se sagrou vencedor (empatado com o contrabaixista Célio Barros) e Hamilton foi terceiro colocado. Coincidentemente, participaram da mesma eliminatória e se reencontraram na final, sempre no Teatro Cultura Artística. Pude acompanhar as duas apresentações, o que me tornou um ser abençoado.
Conheci o André pessoalmente, tempos antes do Prêmio Visa. Estudamos na ECA/USP na mesma época, e cantei ao seu lado entre os barítonos do Coral do CMU. Aproximamo-nos através de um amigo em comum, Estevão Laurito, que anos depois viajaria para a França e se tornaria tenor da Ópera Nacional de Montpellier… mas isso é outra história.
Ver pela primeira vez o André tocar nos seus 20 e poucos anos foi um choque. Sentou-se ao piano depois de um ensaio de coro, e improvisou. Meus poucos e irregulares anos como aprendiz de pianista foram suficientes para perceber que ali estava um instrumentista diferenciado, um desses meninos-gênios com voz própria mesmo com pouca idade.
Anos se passaram e toda a imprensa musical coroou André de louros merecidos. Ninguém que eu tenha ouvido é capaz de tocar com a mesma segurança, facilidade, improviso e brilho. Seu mote é a música popular brasileira, mas em qualquer coloratura — tão mais ou menos erudita quanto se precise para a frase mais adequada ao momento. André já trabalhou com tudo, de jingles de publicidade a peças para orquestra. E segue compondo, arranjando, gravando e planejando parcerias de alto nível, como as feitas com Monica Salmaso e Ná Ozetti.
Hamilton de Holanda é outro fera incontestável. Lembro-me que o anúncio de seu 3º lugar no mesmo Prêmio Visa rendeu uma vaia geral da platéia. O bandolinista tocava como um demônio e enfileirava choros e sambas conhecidos, o que causou uma empatia com público que outros finalistas, mais cerebrais talvez, não chegaram a exibir. De lá para cá, gravou uma dúzia de discos e ganhou o Prêmio Icatu Hartford que o propiciou um ano na França para aperfeiçoamento e carreira internacional. Pertencente ao grupo de seus admiradores confessos (que inclui gente como Ivan Lins, Djavan e João Bosco), Hermeto Paschoal foi taxativo numa entrevista ao Correio Braziliense: “Hamilton é o melhor bandolinista do mundo”.
Eclético ao extremo, Hamilton já tocou como solista, em dueto, trio, quinteto e acompanhando orquestra. Já dividiu palcos com gente tão variada quanto John Paul Jones (do Led Zeppelin) e os músicos do Buena Vista Social Club. Como bom bandolinista, filho espiritual de Jacob do Bandolim, sua formação passa intrinsecamente pelo choro, mas abarca muito mais.
As praias musicais desse dois artistas são diferentes, mas convergem em harmonia na direção de um trabalho raro. Como escreve o próprio André no encarte que acompanha o CD:
Hamilton freqüenta ‘músicas’ que eu não freqüento tanto e vice-versa, até pelas diferentes origens dos nossos instrumentos. Nos encontramos como bons amigos no bar imaginário da música para uma boa conversa, ambos muito interessados, atenciosos e atentos ao assunto que o outro traz à mesa. E nunca falta assunto! Este fator, para mim, torna este duo especialmente estimulante.
Juntos, interpretam Cartola, Paulinho da Viola, Egberto Gismonti e outros, além de composições próprias arranjadas para o duo. É bom que se diga: a sonoridade deles não encontra eco em outras gravações feitas para as mesas músicas. Há muita inteligência e novidade nos arranjos, improvisão e pulso de jazz adicionado ao repertório. O disco foi gravado na própria casa do André, na Serra da Cantareira, em duas tardes de março, sem ajuda de engenheiro ou de técnico de som. Uma brecha nas agendas concorridas permitiu-os brincar sem serem incomodados. A faixa que abre o disco (uma reverente interpretação da “Rosa” de Pixinguinha) foi finalizada na primeira tomada, enquanto os músicos ainda testavam a sonoridade dos microfones.
Pequenos trechos podem ser ouvidos na página da gravadora. Abaixo, uma palhinha do show de lançamento do CD, ocorrido no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Música de gente grande, que chega a causar estranhamento em quem está acostumado com a mesmice reinante. Espero sinceramente que apreciem.
Início de ano é sempre bom para fazer uma limpeza na vida. Jogar coisas velhas fora, organizar armários, esvaziar gavetas emboloradas. Que tal aproveitar e fazer também um pouco de manutenção preventiva no seu Windows?
Todo final de ano eu ofereço meus préstimos como mexedor de micro a parentes menos afeitos à configuração de sistema operacional ou a atualizações de software. Encontro pela frente máquinas que poderiam ter melhor desempenho e dar menos dor de cabeça com algumas medidas muito simples. A primeira delas: eliminar tranqueiras.
É impressionante a quantidade de programas que as pessoas deixam rodar na área de notificação (system tray). Esse espaço nobre do Windows em geral é ocupado por programas que rodam continuamente, desde a inicialização do sistema, mesmo que não sejam usados o tempo todo. Consomem memória e recursos do computador. Muita gente nem percebe que vários programas de utilidade apenas ocasional (como o QuickTime Player da Apple) adoram grudar seus tentáculos por ali.
Quanto mais programas sinalizados lá, mais tempo o Windows leva para inicializar e menos memória ficará disponível para outros programas. Portanto, quanto menos programas na área de notificação, melhor.
Clique com o botão direito sobre cada ícone e ative o comando de “Opções” ou “Configuração” que cada programa desses deve ter. Se não encontrar esses comandos, rode o programa correspondente ao ícone indesejado e busque nas configurações uma opção batizada como “rodar o programa na inicialização” (desative isso), “deixar um ícone na área de notificação” (desative isso), ou coisa semelhante.
Eu costumo deixar apenas duas coisas no meu system tray: um firewall (indispensável para quem possui conexão de banda larga) e um programa anti-vírus ativo (indispensável para quem quer que seja). O resto é o resto. Acredite, sua vida não vai piorar se os ícones ao lado do reloginho forem embora.
Outro recurso que vale a pena utilizar (ao menos uma vez por mês) é um “limpador de resíduos” do Windows. O sistema operacional da Microsoft, em todas as suas versões, costuma deixar resíduos pelo disco rígido. Arquivos temporários que, por acidente, não são apagados, proliferam-se com o passar do tempo. Chaves de registro não são devidamente removidas no processo de desinstalação de programas. Pastas criadas automaticamente são esquecidas pelos cantos. É como se, pouco a pouco, entrasse poeira nas engrenagens do motor. Cedo ou tarde, o conjunto todo começa a engasgar.
Nada mais útil, portanto, que o CCleaner, um software gratuito e confiável que simplifica muito o trabalho de remoção de resíduos. Com um clique, ele varre o disco rígido e procura pedaços descartados do sistema operacional, chaves de registro inúteis, arquivos temporários desnecessários (inclusive o cache do seu navegador de internet, se você quiser), e muitas outras coisas. Além de desocupar espaço em disco, a freqüente utilização do programa deixa o Windows “desempoeirado” e sempre funcionando em boas condições, desde que você tenha uma certa coragem para solicitar também a limpeza do registro (registry). Não deixe de experimentar.
Por fim… todos os que utilizam a Internet estão sujeitos a serem infectados com um tipo de ardil quase tão danoso quanto os vírus de computador. São os spywares, os programas espiões: uma enorme variedade de “recursos” que se instala automaticamente no seu micro durante a navegação em sites pouco confiáveis.
Muitas vezes você não percebe a infecção, mas percebe os sintomas: novas barras de ferramentas em seu Internet Explorer que aparecem misteriosamente, travamento do navegador sem razão aparente, ou ainda a mudança indesejada da “página inicial”. A finalidade desses programas infectantes é rastrear silenciosamente as suas atividades na Internet e transmitir essas informações para os autores do programa. Estes, por sua vez, venderão seu “perfil de uso de Internet” para agências de propaganda inescrupulosas, que farão disso o que bem entender (no mínimo, encher sua paciência com propaganda indesejada).
Para se defender dessa praga, não conheço recurso melhor que o Spybot – Search and Destroy, um software gratuito que se tornou popular a ponto de rodar em mais de 50 idiomas. Ele identifica mais de 100 mil ameaças à sua privacidade, remove-as do seu micro e imuniza-o contra diversos tipos de praga publicitária. A versão 1.5 roda desde o Windows 95 até o Vista. Atualizações gratuitas contra novas ameaças são fornecidas pelo autor quase semanalmente. Indispensável aos que levam sua privacidade a sério.
A dois dias do Natal e a pouco mais de uma semana do ano novo, é inevitável pensar em retrospectivas. Na falta de notícias mais relevantes que a Corrida de São Silvestre, meios de comunicação aproveitam o período de reflexão para refrescar nossa curta memória com fatos importantes ocorridos ao longo do ano. Deveríamos, mesmo, lembrar deles para não cometer os mesmos erros no ano seguinte.
Pensei em listar os muitos avanços que este país varonil obteve entre janeiro e dezembro (primeira morte em decorrência de terremoto, maior número de mortes em um acidente aéreo, maior demonstração coletiva de cara de pau num Senado, etc.) mas não vai faltar esse tipo de coisa nos telejornais e semanários em banca de jornal. Decidi olhar mais pra cima na hora de oferecer a todos um cartão de boas festas.
Meu desejo de Natal, como em todos os anos, é que a humanidade possa ganhar perspectiva; olhar para além das nossas mesquinharias e pequenas preocupações, e mais para as coisas que deveriam nos unir. Somos humanos, é verdade, eternamente sujeitos ao egoísmo… mas somos tão capazes de maravilhamento quanto de cinismo. Precisamos de maravilhamento mais que nunca.
Eis, pois, meu voto de um ano novo muito especial para todos. Com vocês, as 12 melhores fotos sobre o Universo publicadas em 2007 no site que abre meu navegador de internet, todos os dias. Dois cometas, muitas estrelas e uma lua raramente vista por nós têm sobre mim o mesmo efeito que a vigília secreta da chaminé feita pelas crianças à espera do Papai Noel.
Muito obrigado a quem se dispôs a acompanhar estas linhas e ajudou este blog a juntar mil visitas em seu primeiro mês de vida. Agradeço especialmente àqueles que deixaram comentários, opiniões, portas abertas para o diálogo. Espero desfrutar da companhia de vocês no ano que vem. Boas festas!
Autor de blog também entra em recesso! Reabriremos após 3 de janeiro.
É possível que você, um seguidor de séries televisivas interessantes, tenha ouvido falar na “greve de roteiristas” que se estende há quase dois meses nos EUA. Os profissionais envolvidos estão vinculados à Writers’ Guild Association. Os escritórios dessa entidade, em Los Angeles e Nova York, circunscrevem praticamente todos os autores de roteiro para TV e cinema dos Estados Unidos.
Em termos simples, os filiados à WGA criam a maior parte do entretenimento audiovisual no mundo ocidental. Canais brasileiros por assinatura do tipo Sony Entertainment Television só têm o que mostrar graças ao registro audiovisual das idéias desses escritores.
Portanto, todo consumidor de TV por cabo no Brasil, na América Latina, na Europa e em outras partes do mundo tem motivos para acompanhar o desenrolar da disputa entre os roteiristas e os conglomerados produtores de audiovisual. “Desenrolar”, contudo, é um termo inadequado ao presente. Há um impasse — causado pelos representantes da Association of Motion Picture and Television Professionals (AMPTP), o “adversário” da WGA. Há 14 dias, retiraram-se da mesa de negociações e não dão mostras de que irão voltar.
O resumo da briga é o seguinte: os autores querem uma participação na renda advinda de transmissão de filmes e seriados pela Internet. Estima-se que esse negócio gere 4,6 bilhões de dólares somente nos próximos três anos. O ponto de vista dos autores está claramente explicado aqui (desde que você entenda o inglês falado nos Estados Unidos).
Os estúdios, com notável cara-de-pau, alegam que não faz sentido dar dinheiro aos roteiristas porque a exibição de filmes e séries pela Internet é “meramente promocional”. Noutros momentos, dizem que “não é possível” estimar o quanto as exibições via Internet irão render. É no mínimo curioso, portanto, que um desses gigantes, a Viacom, não tenha titubeado em requisitar 1 bilhão de dólares e mais um pouco ao YouTube, como reparação num processo judicial em defesa de suas “propriedades ilegalmente transmitidas” pelo site mais festejado dos nossos dias.
Vinte anos atrás, no início do mercado de filmes em VHS, os roteiristas aceitaram receber meros centavos por cada fita comercializada, para “ajudar a fomentar a nova mídia”. Esperavam que, num futuro onde o mercado já estivesse consolidado, fossem recompensados pela indústria. Isso nunca aconteceu. O mesmo parco comissionamento foi legado aos DVDs sem nenhum tipo de correção. Cabe aos roteiristas 4 centavos de dólar por disquinho contendo filme derivado de suas histórias — o consumidor final paga 10 dólares por DVD comprado, em média, nos EUA.
Escaldados pela injustiça financeira, enxergando a Internet como sala de exibição e prevendo um futuro onde TV e protocolo IP sejam o mesmo canal, os escritores não querem repetir a história e lutam por uma remuneração que consideram mais justa. Com seu grande entendimento dos meios audiovisuais e seu poder de sedução, apóiam-se na própria Internet para executar uma estratégia de conscientização do público. Há uma enxurrada de vídeos on-line tratando de todos os ângulos da greve. Um dos roteiristas do Daily Show with Jon Stewart, por exemplo, é o apresentador desta pérola (em inglês).
Nessa briga, é difícil encontrar quem esteja do lado dos estúdios (o que não chega a surpreender, nestes tempos de ódio às corporações multinacionais). Como se sentirão os demais trabalhadores desse ramo, que somam 400 mil na região de Los Angeles? Eletricistas, cenógrafos e microfonistas devem estar temerosos, mas os que realmente contam para a mídia, ou seja, os atores, demonstram apoio sindical e presencial. Recentemente, membros do elenco de séries policiais, tais como CSI, Lost, Num3ers, The Unit, Dexter, The Shield e Law & Order juntaram-se a um protesto organizado pelos roteiristas policiais, que chegaram a visitar estúdios e demarcá-los com a fita amarela típica de “cena do crime” (de apropriação, imagina-se). Por sua vez, a prefeitura de Los Angeles já exortou a AMPTP a retornar às negociações, ciente de que a greve causa prejuízos à economia da região na ordem de 20 milhões de dólares por dia.
Considerando que os roteiristas da WGA também cuidam do script de eventos da indústria, como o já iminente Golden Globe Awards e o centro nervoso dos grandes orçamentos do ano, o Oscar, o caldo só tende a engrossar em Hollywood.
Os espectadores que se preparem: 2008 poderá se tornar um ano inesquecível… para reprises.